terça-feira, 16 de novembro de 2010
Iniciamos com o texto Democracia Monárquica uma nova fase deste Blog. Além das poesias que marcaram o eixo de existência deste veículo nos últimos anos, a partir de agora ele incorporará as crônicas produzidas pelo autor e trará de volta os comentários sobre o cotidiano da mídia, da imprensa e de toda essa incrível, sofrível e, por vezes discutivel, vida e toda cultura que envolve seus (des) caminhos.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Quintal no ar
Meu quintal é uma alusão periférica
Casas pálidas, amarelidão,
escombros, beira de linha,
O Campo do Rato, o queijo,
o crack
E um belo horizonte,
longe, longe, longe.
Casas pálidas, amarelidão,
escombros, beira de linha,
O Campo do Rato, o queijo,
o crack
E um belo horizonte,
longe, longe, longe.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Glória Cigana (poema revisitado)
Estrelas não caem do céu.
Elas brotam do chão, vez em quando,
como flores.
São únicas, inimitáveis,
raras tão somente.
Solitárias.
A terra as retém e é-lhes estéril,
suga-lhe o sumo e o viço da entrega.
Pela perenidade de apego,
de compreensão, de seiva humana,
a hostilidade campeia ao seu redor.
Frágeis,
da natureza das flores,
em pedra sobre pedra,
apedrejando-se qual masoquistas,
artifices da inglória arte do conviver.
Caem, decerto,
mas se revigoram
e brilham sob o olhar de toda a gente.
Como místicos vagalumes, andaluzes,
ciganos da noite e do dia,
sobrevivem para o espanto geral.
Quando se vão
o amálgama luminar
de beleza e vida e cor e voz
que as definiu
mora no éter,
eternizando-as.
Elas brotam do chão, vez em quando,
como flores.
São únicas, inimitáveis,
raras tão somente.
Solitárias.
A terra as retém e é-lhes estéril,
suga-lhe o sumo e o viço da entrega.
Pela perenidade de apego,
de compreensão, de seiva humana,
a hostilidade campeia ao seu redor.
Frágeis,
da natureza das flores,
em pedra sobre pedra,
apedrejando-se qual masoquistas,
artifices da inglória arte do conviver.
Caem, decerto,
mas se revigoram
e brilham sob o olhar de toda a gente.
Como místicos vagalumes, andaluzes,
ciganos da noite e do dia,
sobrevivem para o espanto geral.
Quando se vão
o amálgama luminar
de beleza e vida e cor e voz
que as definiu
mora no éter,
eternizando-as.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Tema do amor vivido
um amor chão e terra
ímpar como uma foto três por quatro
tese minha,
toda a simplicidade chique da erva daninha.
deixai o amor de céu e sonho aos poetas
(aqueles que não vivem)
nessa utopia,
nosso céu é o dia a dia.
Impulso/1997
ímpar como uma foto três por quatro
tese minha,
toda a simplicidade chique da erva daninha.
deixai o amor de céu e sonho aos poetas
(aqueles que não vivem)
nessa utopia,
nosso céu é o dia a dia.
Impulso/1997
A imargem do rio
Nos chãos onde pisou meu pai
Piso eu, agora,
só
Meu pai foge para a margem do rio
para pilotar jangadas frágeis.
De seu,
o sorriso menino, brincalhão,
os teréns de uma vida inteira,
a gagueira interminável
difícil de dizer "alô"
que não diz: se vai.
Nos chãos onde pisou meu pai
pisei eu, agora,
só
os passos estão lá,
estão aqui onde piso
e pisa meu pai comigo, consigo.
Impulso/1997
Piso eu, agora,
só
Meu pai foge para a margem do rio
para pilotar jangadas frágeis.
De seu,
o sorriso menino, brincalhão,
os teréns de uma vida inteira,
a gagueira interminável
difícil de dizer "alô"
que não diz: se vai.
Nos chãos onde pisou meu pai
pisei eu, agora,
só
os passos estão lá,
estão aqui onde piso
e pisa meu pai comigo, consigo.
Impulso/1997
Não, não olhai apenas o campo - Dia de Bingo (poema revisitado)
dias de terra e poeira
vermelha como o sangue vertido
mulheres sãs em modelitos de antanho
jovens, new look, vitrine viva
de um tempo particular
procissão de bicicletas
num culto a velocidade e ao ruminar dos dias.
olhai, amigo,
olhai não apenas o campo desnudo
com suas distâncias a perder de vista
seus longuíssimos horizontes
parecendo desabitados.
olhai a liga humana que o compõe
que se esconde em suas dobras, caminhos,
curvas, verde ralo, mata espessa e cinza,
casebres malanjambrados e esconchos.
olhai,
olhai o vigor, a força, a beleza
e a esperança e o contentamento
dessas gentes, amigo,
também a se perder de vista.
Impulso/1997
vermelha como o sangue vertido
mulheres sãs em modelitos de antanho
jovens, new look, vitrine viva
de um tempo particular
procissão de bicicletas
num culto a velocidade e ao ruminar dos dias.
olhai, amigo,
olhai não apenas o campo desnudo
com suas distâncias a perder de vista
seus longuíssimos horizontes
parecendo desabitados.
olhai a liga humana que o compõe
que se esconde em suas dobras, caminhos,
curvas, verde ralo, mata espessa e cinza,
casebres malanjambrados e esconchos.
olhai,
olhai o vigor, a força, a beleza
e a esperança e o contentamento
dessas gentes, amigo,
também a se perder de vista.
Impulso/1997
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Sintonias Afoitas
Se tiver de vir
que venha de manso
mas com o dom da loucura
só pra fazer feliz
esses dois coraçoes
em sintonias afoitas.
que a partir de agora
tudo seja sério
palavras e gestos
que aquilo que toque
seja mais que sonho
seja só descobrir:
a saber que o amor
é bem mais que o som
de letrinhas gentis
contar quantas palavras
cabem no meio
da espressão solidão
que a saudade que mata
tortura, maltrata
ou até faz chorar
é bem mais que o tom
dolorido do ser
que se encontra sozinho.
P.S. Um pouco de música para uma terça-feira quente e uma ousadia (afoita) do compositor (meio frustrado, é certo) em mim!
que venha de manso
mas com o dom da loucura
só pra fazer feliz
esses dois coraçoes
em sintonias afoitas.
que a partir de agora
tudo seja sério
palavras e gestos
que aquilo que toque
seja mais que sonho
seja só descobrir:
a saber que o amor
é bem mais que o som
de letrinhas gentis
contar quantas palavras
cabem no meio
da espressão solidão
que a saudade que mata
tortura, maltrata
ou até faz chorar
é bem mais que o tom
dolorido do ser
que se encontra sozinho.
P.S. Um pouco de música para uma terça-feira quente e uma ousadia (afoita) do compositor (meio frustrado, é certo) em mim!
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